sábado, 22 de novembro de 2014

Alerta: a banalização do uso das sondas de relactação e seus riscos

Por: Fernanda Rezende Silva
Revisão: Zioneth Garcia e Dji Nane

Muitas mães, por acharem que não produzem leite suficiente, recorrem ao uso da sonda de relactação, e ela não deveria ser a primeira opção - vamos entender o porquê.
A técnica de relactação serve para RE-lactar, ou seja, só deveria ser usada por mães que já não produzem mais leite e querem retomar a amamentação. Ok, mas qual o problema em usar a sonda só para complementar?
Vamos começar entendendo como é o fluxo de leite na sonda: o bebê recebe LM e LA. Se o bebê recebe mais leite do que seria o normal, ele vai sugar menos tempo, logo a produção não será realmente estimulada como deveria. Além disso o bebê pode se acostumar a este fluxo (quando a sonda é usada por muito tempo) e depois fica complicado tirar - infelizmente o que acontece nestes casos é que a mãe, por não acreditar que será capaz de produzir leite sozinha, aumenta cada vez mais a quantidade de LA e por fim o bebê já não suga mais LM: é um bebê desmamado tomando LA pela sonda.
Usar a sonda fora de casa é algo algo complicadíssimo - muitas mães deixam de sair de casa por esse motivo. Algumas saem de casa sem a sonda e aí vem o perigo: pensar que podem dar uma única mamadeira fora de casa, que isso não vai atrapalhar (uma única mamada nestas condições - sonda + mamadeira - pode causar confusão de bicos).
Bebês maiores simplesmente não aceitam a sonda (com razão!). Se um bebê está acostumado ao aconchego do peito, a mamar o peito livre, realmente ele não vai aceitar um caninho entrando na sua boca - mais um motivo para restringir o uso da sonda apenas às primeiras semanas do bebê.
Quais seriam então as opções para a mãe que precisa complementar? Copinho comum, copo de bico rígido, colher, colher-dosadora. Todos os bebês precisarão usar alguma destas opções após os 6 meses, quando começam a tomar água, então aqui não cabe o argumento "é difícil usar copinho ou colher" - mais cedo ou mais tarde o bebê vai usar, pois a mamadeira é contra-indicada totalmente em qualquer idade. Para qualquer uma das opções escolhida: o ideal é que a quantidade de LA seja reduzida gradativamente, de forma que o bebê volte a mamar LM exclusivo e não fique dependente do LA.
Segue um texto explicativo sobre o uso da sonda, para quem realmente precisa usar:
"A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer o peito: mães adotivas, ou em caso de cirurgia mamária com comprometimento de ductos ou glândulas onde a produção foi fisicamente afetada.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia semana ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactaçao por mais do que 6 semanas.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM do peito, nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar diminuir o LA usando copinho.
Uma vez se consegue LM em volume aceitável, é ideal passar oferecer o complemento que está sendo usado na sonda, num copinho. Lembre que existe sucção não alimentar, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda."
Sobre a sonda-dedo: está "na moda" usar esta técnica, mas só deveria ser indicada para prematuros incapazes de sair da incubadora e que não podem ser amamentados ou pegos no colo - para eles sim, se usa a sonda dedo para estimular a sucção ao mesmo tempo em que são alimentados (seja com LM ou LA). A técnica não serve para bebês que têm condições de sugar o peito da mãe.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...